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Português6 de janeiro de 2026Por Paulo Smolarek

Os brasileiros estão errados ao achar que o mundo os ama

Existe uma ideia confortável, quase folclórica, de que brasileiros são amados em qualquer lugar do mundo. Gente simpática, alegre, aberta, fácil de fazer amigos. Essa narrativa funciona bem no turismo de curto prazo. Mas ela cai rápido quando o brasileiro passa a morar fora, trabalhar fora e competir por espaço fora.

A realidade é mais dura. Do Estados Unidos à Europa, brasileiros enfrentam racismo, xenofobia e discriminação estrutural com muito mais frequência do que gostam de admitir.

O mito da simpatia não protege ninguém

Ser visto como “legal” não é o mesmo que ser respeitado.

Em muitos países, o brasileiro é associado a estereótipos claros

  • mão de obra barata
  • imigrante ilegal
  • trabalho informal
  • sexualização do corpo
  • falta de qualificação
  • bagunça
  • jeitinho

E em Portugal, grande parte disso é até verdade, mas obviamente não representa todos os brasileiros.

Esses rótulos aparecem no dia a dia, não em manchetes, mas em decisões pequenas de quem é promovido, quem é ouvido, quem aluga um apartamento, quem passa na imigração sem perguntas extras.

Dados que quebram a fantasia

Alguns fatos desconfortáveis, baseados em pesquisas internacionais e relatórios migratórios amplamente divulgados

• Na União Europeia, pessoas da América Latina relatam taxas mais altas de discriminação no trabalho do que imigrantes europeus do leste • Brasileiros estão entre os grupos mais parados em controles migratórios aleatórios em aeroportos europeus • Nos Estados Unidos, brasileiros aparecem com frequência em estatísticas de exploração trabalhista em setores como limpeza, construção e restaurantes • Em pesquisas sobre percepção social, latino-americanos são associados a menor qualificação profissional, mesmo quando possuem ensino superior

Isso não acontece porque “faltou simpatia”. Acontece porque o mundo funciona com hierarquias raciais, culturais e econômicas.

Racismo não é só violência explícita

Muita gente erra ao achar que só existe racismo quando há agressão direta.

Na prática, o brasileiro sofre mais com o racismo silencioso piadas “inocentes” dúvidas constantes sobre competência tratamento infantilizado necessidade de provar valor o tempo todo desconfiança automática

Isso cansa. E muito.

E a Polônia?

A Polônia é, sim, um país seguro, organizado e com qualidade de vida. Para brasileiros, especialmente fora das grandes capitais, a experiência costuma ser mais tranquila do que em outros países europeus.

Mas é preciso ser honesto nem todos gostam de nós

Existe um nacionalismo forte, especialmente fora dos grandes centros e em grupos mais conservadores. Para esse grupo, você nunca será polonês. Não importa quanto tempo viva ali, quanto imposto pague ou quanto da língua aprenda.

O preconceito raramente é violento. Ele aparece em forma de distância, frieza, exclusão social e comentários sutis. É suportável. Mas existe.

A maturidade começa quando o brasileiro aceita a realidade

O erro não está em sair do Brasil. O erro está em sair acreditando que o mundo nos deve carinho.

O mundo não ama brasileiros. O mundo tolera brasileiros em certos contextos. O respeito vem com tempo, posição social, renda, idioma e limites claros.

Aceitar isso não é pessimismo. É maturidade.

Quem entende essa realidade sofre menos, se prepara melhor e constrói uma vida mais sólida fora do Brasil.

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