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Português1 de junho de 2026Por Paulo Smolarek

Dia dos Pais em junho na Polônia, em agosto no Brasil: o calendário confunde até a família

Na Polônia, o Dia dos Pais cai sempre em 23 de junho; no Brasil, chega no segundo domingo de agosto. Para uma família dividida entre os dois países, uma simples mensagem pode virar um pequeno exercício de calendário.

A mensagem que quase chegou dois meses cedo

Morando na Polônia, aprendi que o calendário também fala com sotaque. Algumas datas parecem familiares, mas aparecem no mês errado. O Dia dos Pais é um ótimo exemplo: aqui ele é celebrado sempre em 23 de junho. No Brasil, esperamos o segundo domingo de agosto. Em 2026, isso significa duas marcações bem diferentes: terça-feira, 23 de junho, na Polônia, e domingo, 9 de agosto, no Brasil.

Para quem vive entre os dois países, a confusão é quase inevitável. Basta ver uma vitrine polonesa com presentes para tata, lembrar do próprio pai no Brasil e pensar: “Eu perdi a data?”. Não perdeu. O celular não está adiantado e o comércio não enlouqueceu. É apenas uma daquelas pequenas diferenças que transformam uma família internacional em especialista em lembretes duplicados.

Uma terça-feira polonesa e um domingo brasileiro

Na Polônia, o Dzień Ojca tem data fixa. Arquivos públicos poloneses registram que o país celebra a ocasião em 23 de junho e que a tradição existe desde 1965. O detalhe da data fixa muda o clima da comemoração: ela pode cair numa terça-feira, como em 2026, sem tentar caber naturalmente em um almoço longo de fim de semana.

No Brasil, a lógica é outra. O Dia dos Pais é celebrado no segundo domingo de agosto. Uma biblioteca pública do Pará resume a história mais conhecida: a comemoração brasileira começou em 1953, por iniciativa do publicitário Sylvio Bhering. A primeira celebração foi em 16 de agosto, ligada a São Joaquim, tradicionalmente lembrado como pai de Maria. Depois, a data passou para o segundo domingo de agosto, facilitando o encontro em família.

Essa diferença diz muito sobre a forma como organizamos afeto. No Brasil, domingo combina com churrasco, sobremesa, visita demorada e uma mesa onde sempre aparece mais comida do que o necessário. Na Polônia, a data fixa pede outra criatividade: um telefonema, um cartão feito pela criança, uma visita depois do trabalho ou um presente simples entregue sem esperar o fim de semana.

Dois lembretes, nenhum exagero

O mais interessante é que nenhum modelo parece estranho depois que a gente entende a lógica. O domingo brasileiro protege o ritual familiar. O 23 de junho polonês dá à data uma identidade própria, fácil de reconhecer todos os anos. Um depende do dia da semana; o outro depende da memória.

Também existe uma pequena vantagem para famílias Brasil-Polônia: ganhamos duas oportunidades de lembrar dos pais. Não precisa transformar isso numa competição comercial nem comprar dois pares de meias. Uma mensagem em junho para o sogro polonês e outra em agosto para o pai brasileiro já resolvem boa parte da diplomacia doméstica.

Eu gosto dessas diferenças discretas porque elas mostram que morar fora não é apenas aprender palavras novas ou enfrentar formulários. É descobrir que até uma data carinhosa pode atravessar o oceano e pousar em outro mês. Na sua família, qual calendário vence: o de junho, o de agosto ou os dois?

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