Wrocław (fala-se mais ou menos "vrótsuaf") é a quarta maior cidade da Polônia e, para mim, a mais fácil de gostar. Fica no Oder, espalhada por uma dúzia de ilhas e ligada por mais de cem pontes — daí o apelido de "Veneza polonesa", que é exagerado, mas dá a ideia: você atravessa água o tempo todo sem perceber.
A história aqui é a parte que ninguém deve pular. Até 1945 a cidade se chamava Breslau e era alemã há séculos — antes disso foi boêmia, austríaca, prussiana, e sempre teve uma comunidade judaica importante. Com a mudança das fronteiras no fim da Segunda Guerra, a população alemã foi expulsa e a cidade foi repovoada em grande parte por poloneses expulsos de Lwów (hoje Lviv, na Ucrânia), que trouxeram junto a universidade, os livros, os professores e até a Panorama Racławicka. Wrocław é literalmente uma cidade construída por gente que veio de outro lugar — e isso explica muito do jeito dela.
O outro personagem são os krasnale, os anões de bronze: mais de 800 espalhados pelas calçadas, cada um com 20 ou 30 cm. Começaram como piada política do movimento Alternativa Laranja, que nos anos 1980 pintava duendes por cima da tinta com que a polícia comunista cobria grafites de protesto. Hoje viraram caça ao tesouro urbana — e, sendo honesto, é o programa que mais diverte criança na Polônia inteira.