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Português16 de maio de 2026Por Paulo Smolarek

Lewandowski deixa o Barcelona: o adeus de uma lenda vista do Brasil e da Polônia

Robert Lewandowski anunciou sua saída do FC Barcelona após quatro temporadas. Como brasileiro morando na Polônia, reflito sobre o que esse momento significa para os dois países que amo.

Robert Lewandowski se despede do Camp Nou

O Instagram que parou dois países

Em 16 de maio de 2026, Robert Lewandowski abriu o Instagram e escreveu uma frase que, por mais simples que fosse, tinha o peso de uma era inteira: "Após quatro anos cheios de desafios e trabalho duro, é hora de seguir em frente."

Eu estava tomando café em Poznań quando a notificação apareceu. Minha esposa, polonesa, largou o que estava fazendo. Meu sogro mandou mensagem no grupo da família. Na Polônia, Lewandowski não é apenas um jogador de futebol — ele é praticamente uma instituição nacional. E como brasileiro que cresceu venerando o futebol como religião, eu entendo perfeitamente esse sentimento.

Os números que contam a história

Lewandowski chegou ao Barcelona em 2022, vindo do Bayern de Munique, com a missão de devolver ao clube catalão o protagonismo europeu. Aos 37 anos, encerra essa jornada com números que falam por si:

  • 191 partidas oficiais pelo Barcelona
  • 119 gols — uma média impressionante de 0,62 por jogo
  • 132 jogos na La Liga, 38 na Champions League, 12 na Copa do Rei, 7 na Supercopa e 2 na Europa League
  • 7 títulos: 3 La Liga, 3 Supercopa da Espanha e 1 Copa do Rei

Nesta última temporada, mesmo com o papel mudando — 15 jogos como titular e 14 saindo do banco na La Liga — ele marcou 13 gols em 29 partidas. Lewandowski aos 37 anos continua sendo mais eficiente que a maioria dos atacantes do mundo aos 25.

O olhar brasileiro

Para nós brasileiros, Lewandowski sempre ocupou um lugar curioso. Crescemos idolatrando Ronaldo, Romário, Neymar — artistas da bola, dribles impossíveis, magia pura. Lewandowski é outra escola. Ele é precisão. Posicionamento. Inteligência fria. É o tipo de centroavante que o Brasil nunca produziu em série, e talvez por isso mesmo a gente o admire tanto.

Quando me mudei para a Polônia, entendi que Lewandowski não é só admirado aqui — ele é necessário. Num país que historicamente não tem a tradição futebolística do Brasil, da Argentina ou da Alemanha, ter um jogador que compete pelo prêmio de melhor do mundo é algo que transcende o esporte. É orgulho nacional em chuteiras.

O adeus no Camp Nou

No dia 17 de maio, contra o Betis Sevilla, Lewandowski entrará no Camp Nou pela última vez como jogador do Barcelona. Haverá mais um jogo depois, contra o Valencia no dia 23, mas é em casa que a despedida realmente acontece.

O Barcelona publicou nas redes: "Chegou como estrela. Sai como lenda." E Hansi Flick, seu treinador, disse: "Trabalhar com ele foi uma honra. A decisão que tomou é um exemplo a ser seguido."

O próximo destino mais provável? A Arábia Saudita. É o caminho que muitos craques têm seguido nos últimos anos, e faz sentido financeiramente para um jogador no fim da carreira europeia.

Entre duas paixões

Moro na Polônia há alguns anos, e uma das primeiras coisas que me conectou com esse país foi justamente o futebol. Conversar sobre Lewandowski num bar em Poznań é tão natural quanto falar do Neymar num boteco em São Paulo. O futebol é essa ponte universal, e Lewandowski foi, para mim, a ponte entre minha vida brasileira e minha vida polonesa.

Vê-lo partir do Barcelona me dá aquela sensação agridoce que todo torcedor conhece. A gratidão pelos momentos, misturada com a consciência de que o tempo não perdoa ninguém — nem mesmo quem marca 119 gols em quatro temporadas.

E você, que também vive entre culturas, entre países, entre idiomas — como é assistir ao fim de um ciclo de alguém que, de certa forma, representa a sua ponte entre dois mundos?

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