
YouTube: A despedida de Leandro - Melhores momentos
Enquanto todos olhavam para Barcelona
No sábado, 16 de maio de 2026, Robert Lewandowski anunciou que está deixando o Barcelona. As redes sociais pararam. A imprensa inteira se voltou para a Catalunha. E com toda razão — é um dos maiores jogadores da história saindo de um dos maiores clubes do mundo.
Mas a história mais bonita do dia aconteceu em outro lugar. Aconteceu em Radom, uma cidade de pouco mais de 200 mil habitantes no centro-leste da Polônia. Ali, no estádio przy Struga 63, um brasileiro de 37 anos chamado Leandro Rossi Pereira entrou em campo pela última vez.
Quem é Leandro?
Se você nunca ouviu falar de Leandro Rossi Pereira, não se preocupe — a maioria dos brasileiros também não conhece. E é exatamente por isso que a história dele é tão especial.
Leandro chegou a Radom em 2012. Vinha do Zawisza Rzgów, um clube minúsculo. Era um empréstimo. O Radomiak, na época, jogava na terceira divisão polonesa — o equivalente à Série D brasileira. Ninguém esperava muito dele. Ele mesmo, provavelmente, não esperava ficar.
Mas ficou. 14 anos.
Subiu com o clube da terceira para a segunda divisão. Depois para a primeira. E finalmente, em 2021, capitão do time, liderou o Radomiak de volta à Ekstraklasa depois de 36 anos de ausência. Três décadas e meia. Uma cidade inteira esperou por aquele momento.
376 jogos, 121 gols, uma cidade no bolso
Os números de Leandro pelo Radomiak são impressionantes: 376 partidas oficiais, 121 gols, 27 assistências. Mas o que realmente importa não está nas estatísticas. O que importa é que ele se tornou polonês em 2021, no mesmo ano da promoção. Fala polonês fluente. Tem uma filha polonesa. E quando pendurar as chuteiras, vai continuar morando em Radom.
Isso não é só futebol. É integração real. É virar parte do tecido de uma cidade que te acolheu.
A despedida
O último jogo foi contra o Lech Poznań, que venceu por 3 a 1 e garantiu o título polonês. Mas o placar era só detalhe. Leandro foi escalado como capitão, conduziu o time ao campo, jogou exatos 9 minutos e foi substituído em meio a uma ovação emocionante. Os jogadores dos dois times formaram um corredor. Fogos de artifício explodiram atrás do estádio. A torcida exibiu uma faixa com os dizeres "Santo Leandro".
Nas arquibancadas, não sobrou um olho seco.
Ele disse, em polonês, ao sair de campo: "Dziękuję Polska, dziękuję Radom. Kocham ten klub." — Obrigado, Polônia. Obrigado, Radom. Amo este clube.
O que Lewandowski e Leandro têm em comum?
À primeira vista, quase nada. Lewandowski é superstar global. Leandro é um operário da bola que encontrou seu lugar no mundo em uma cidade média polonesa.
Mas os dois compartilham algo: são exemplos de que o futebol é, no fundo, sobre pertencimento. Lewandowski encontrou seu espaço na Polônia e na Europa. Leandro encontrou o dele em Radom.
Como brasileiro vivendo na Polônia, a história de Leandro me toca de um jeito especial. Ele não veio para ser o melhor do mundo. Ele veio, ficou, se integrou e virou parte da história de uma cidade. É a prova viva de que o futebol pode ser muito mais do que contratos e transferências — pode ser sobre encontrar um lar.
No fim das contas, o dia 16 de maio de 2026 vai ficar marcado para sempre no futebol polonês. Lewandowski anunciou sua saída do Barcelona. Mas, para mim, a imagem que não sai da cabeça é de um brasileiro de 37 anos, de camisa verde, chorando no meio do campo em Radom, cercado por 40 mil pessoas que o amam.
Valeu, Leandro. Obrigado por lembrar a todos nós, brasileiros espalhados pelo mundo, que às vezes a gente encontra nosso lugar bem longe de casa.