Pouca gente sabe, mas o futebol polonês tem mais ligação com o Brasil do que a maioria dos brasileiros imagina. Quando cheguei na Polônia, confesso que não esperava encontrar tantos compatriotas dentro de campo — e muito menos descobrir que alguns deles chegaram a vestir a camisa da seleção polonesa.
De Curitiba para a Copa do Mundo
Thiago Cionek nasceu em Curitiba, Paraná, em 1986. Começou a carreira no futebol brasileiro, passou por clubes como Cuiabá e Juventude, mas foi na Polônia que sua história realmente se escreveu. Chegou em 2006 para jogar no Jagiellonia Białystok, onde virou ídolo. Jogou mais de 200 partidas pelo clube, virou capitão e, em 2014, recebeu a cidadania polonesa.
O mais impressionante: Cionek foi convocado pela Polônia e disputou duas competições enormes — a Eurocopa de 2016, onde a Polônia chegou às quartas de final, e a Copa do Mundo de 2018, na Rússia. Isso mesmo: um brasileiro de Curitiba pisou num Mundial vestindo vermelho e branco. Ele entrou em campo contra Senegal, Colômbia e Japão na fase de grupos.
O pioneiro: Roger Guerreiro
Antes de Cionek, houve Roger Guerreiro. Nascido em São Bernardo do Campo em 1982, Roger jogou no São Caetano, no Corinthians e no Cruzeiro antes de se transferir para o Legia Warszawa em 2007. No Legia, ele brilhou rapidamente — sua técnica e visão de jogo eram claramente acima da média da liga polonesa.
Em 2008, o presidente da Polônia lhe concedeu a cidadania polonesa, e ele foi convocado imediatamente para a seleção. Roger jogou pela Polônia na Eurocopa de 2008 — a primeira participação da Polônia no torneio. Marcou um gol num amistoso contra os Estados Unidos em 2010. Para muitos poloneses, Roger foi uma figura controversa na época — a naturalização de estrangeiros na seleção ainda era vista com desconfiança. Hoje, porém, ele é lembrado como um pioneiro.
Outros brasileiros que passaram por aqui
A lista de brasileiros no futebol polonês é mais longa do que parece. Nos últimos anos, dezenas de jogadores nascidos no Brasil atuaram na Ekstraklasa, a primeira divisão do país.
Um dos casos mais curiosos é o do volante Diego Ferraresso, brasileiro nascido em São Paulo, que jogou no Cracovia por várias temporadas e depois se naturalizou búlgaro — jogou pela seleção da Bulgária.
Guilherme (Guilherme Bissoli), atacante que jogou no Lech Poznań, foi artilheiro e um dos nomes mais lembrados pelos torcedores. Luquinhas, meia brasileiro com passagem pelo Legia Warszawa, foi outro que deixou saudades.
Hoje, segundo dados de 2025/2026, a Ekstraklasa continua recebendo jogadores brasileiros. Nomes como João Moutinho (ex-Jagiellonia, vindo da Spezia) estão entre as contratações recentes.
Por que a Polônia atrai jogadores brasileiros?
Essa é uma pergunta que sempre me faço. A Ekstraklasa não é um destino badalado como Portugal, Inglaterra ou Espanha. Mas ela ofereve algo que muitos jovens brasileiros buscam: visibilidade europeia, boas condições de trabalho e, principalmente, um caminho mais curto para a cidadania europeia.
Para um jogador brasileiro sem passaporte europeu, a Polônia pode ser a porta de entrada para o futebol do continente. Após alguns anos no país, muitos conseguem a cidadania polonesa, o que abre portas para ligas mais competitivas sem ocupar vaga de estrangeiro.
Identidade dupla no esporte
O que me fascina nessa história é a questão da identidade. Ver brasileiros como Cionek e Guerreiro vestindo a camisa da Polônia me fez pensar — como é se sentir parte de dois mundos?
Como brasileiro que agora vive na Polônia, entendo esse sentimento de pertencimento dividido. A camisa que a gente veste nunca apaga de onde a gente veio. E, no fundo, acho que ter brasileiros defendendo as cores da Polônia só mostra como essas duas culturas estão mais conectadas do que a gente imagina.
E você, sabia que o Brasil já emprestou alguns jogadores para a seleção polonesa? Me conta nos comentários se você conhece outros casos como o do Cionek e do Roger Guerreiro!